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O Poeta Erótico

 

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Ninguém sabe

que durmo contigo
e que estás vestida
de pele e cetim

tuas duas bocas
ávidas da vida
apavoradas rosas
abrem-se em pânico

que foda de rastilho
aceso pela tua mão
ansiosa que carnal
anarquia de pernas

a fosforescência
dos teus mamilos
risonhos à noite
tornaram-se vivos

quem percorreu
areias quentes de
desertos sabe matar
a sede num oásis

não importa se
morrerei sem respirar  
quero ver-te
misturada nas estrelas


tenho a sabedoria
do universo toda
metida na cabeça
se desaguo em ti

e quando a pele
se confunde com
a saliva e sal
amarga o tempo

de sexos molhados
saberemos a síncope
dos corpos, prelúdio
de loucura e luar

 

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a meio da noite quente entrando, a lua triste

faz no teu rosto novas configurações
num lume muito aceso, fogo muito vivo
as mãos gesticulavam novas ramificações

mas esse aveludado fogo muito húmido
marítimo epicentro do meu terramoto
em riste burbulhava sangue de dor túmido
como se entrasse em ti navio no mar ignoto

a tua boca invoca adorações esponjosas
tecendo no meu corpo ardores de veludo
aquoso, acetinado, a convulsão do ópio
não jorrei na tua boca, apertei como pude

vem cavalgar a vida em novas formações
como uma amazona, sedenta de morte
a vida há de compor-se com suas ilusões
sobre o amanhã tiremos um papel à sorte

meu rosto perfumado dos teus seios doces
de uma textura firme raramente triste
na estreita escuridão, como se tu fosses
túnel subterrâneo com código por despiste

o suor no inverno soa a sal contradição
entre sentir o frio na pele e amor de estio
sinto na tua mão pulsar meu coração
jorro de felicidade, tremo, não de frio

 

 

 

 

(imagem do Google) 

 

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Que barulho vem de fora

Elefantes de alumínio levando
Gordos presentes,
Motores rugindo no
Metálico idioma mas
A frescura dos teus seios
Nas minhas pernas quentes
Empurram-me para o imaginário
Quando me beijas sou duro
Asteróide que anseia colidir
Contra a terra do teu corpo frágil
Despedaçando-me em mil
Fragmentos
Os teus olhos verdes brilham
Como à noite os olhos
Dos felinos
Como se iluminasses de velas
Trémulas a secretária cheia
Dos meus papéis parcos
De matéria válida
Invalido meu sentimento poético
Queria só escutar
Os barulhos líquidos e esponjosos
Que consegues criar
Com o fogo na boca








(foto da internet)

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O beijo tornou-se crescente

igual à sinfonia de um russo
no silêncio livre de dúvida

a língua queimava o seio
o olhar cristalizava
notava-se na blusa de seda

era de mel a melodia
o ar cheirava a flor de sangue
salpicando o dia de sol e sal

era a revolta dos cravos
vermelhos nos sentidos
gritavam-se insultos nas veias

e como a multidão compacta
desagua num mar de medo
deslizei nesse tubo de treva

quero assim na morte, esta
escuridão húmida de palavras inúteis
todos ignoram que estou contigo

agora, subo, flutuo neste céu
apertado de arco iris nos olhos
e rubores nas faces

como se arrancam as ervas
restando o restolho e remorso
expande-se o universo
o único verso dentro de ti

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À distância de um passo

do pináculo ao poço 
sinto saudável a curva
do teu seio imaginado
na carícia tomo-lhe o gosto
do mamilo ao meio
como esquivo esquilo
fugindo em pânico na floresta
sonho a anca curvilínea 
dádiva celeste de livro aberto 
coxas quentes de
fornalha líquida 
delicioso precipício 
onde desejo
mergulhar-me inteiro. 
deslizo a mão, revisto-te
assalto-te, cresço, ergo-me
às portas da rosa entrada
cristalizando num voo de
tecelão de ninho suspenso
onde se escondem outras entradas, 
vou directo ao assunto
ferro-me em brasa dentro de ti
o ar solta-se em forma de gemido
ameno mudo, semicerrando os 
olhos revirados, vítreos onde
existe uma estrela brilhante
ponto branco na pupila
onde está o centro do poema
como se te bebesse de um trago
como se te engolisse num golo
abrindo o corpo ao meio
possível com a espada afiada
num gume de medo
e noutro de estudo, como seria
fértil à chegada possuir-te
extraindo de ti amorosas filosofias 
e no fim, ser repuxo
na tua exótica flor 
orquídea erótica 
valquírica

 

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que mal existe querer beijar alguém


alguém por detrás desta cortina invisível
alguém cujo peito expande ao emocionar-se
alguém à janela do sonho de outro alguém

Hoje sinto só vontade de existir
sabendo que o mundo é do fazer
do movimento contínuo, o beijo pára
o beijo pode dirimir o remorso
o beijo pode ser a doença da doença

aceno a mão à distância,
do outro lado existe um rosto disposto
a ser por do sol de alguém que desejasse
aproximar-se do mar azul como a gaivota
planando nos ares rindo de nós

estou mais ou menos vivo,
morto vivo sentado, atrás de fórmulas
e diferenças, atrás de números e
inconstâncias de um sistema mecânico
dinâmico, frenético, doente do lucro
febril enigmático, voraz, monstro com
tentáculos e habitáculos imundos,

fizeram-nos crescer, esqueceram-se
de me dizerem que sou livre desde o
momento que escrevo, penso, medito
canto, sossego, beijo, acima do beijo
está o mistério, acima do mistério
talvez exista mesmo um deus, um deus
vestido de infinito, deslizando nos ventos
roçando-se na fragilidade humana
sentando-se numa esplanada, sorvendo café
comendo um biscoito, jogando à bisca
tirando apontamentos dos sofrimentos
dos homens que regressam cabisbaixos a casa, no entardecer
vertiginoso sol mergulhado em líquido azul
lúcido, magnânimo, médico de clínica
geral do que criou,
Cosmético criador de bálsamos que suavizem
esta dor de sentir tanto, esta dor de
sentir medo, de haver fim.
sonho que foi assim que o beijo
foi criado, um deus que puxou pela cabeça
e pensou como podia dar alívio
sem ter que subir ao céu e tocar as estrelas
para sentir levitar sem dor e remorso
sem culpa, como desculpa do mal
que fez quando nos criou.






(imagem retirada da internet)

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Este poema que te escrevo
toma-o inteiro dentro de ti
recebe-o de pernas abertas
enquanto duro de ramificadas
veias entumecidas
a figura do meu corpo muda
e olha-o nos olhos, a desenrolar-se
quererá reter o brilho do teu olhar
onde colocasse jóias no poema sem roupa
põe-no dentro e fora de ti
no balanço corpóreo primitivo
os versos que são teus
de sangue e seiva misturados
esse ritmo amoroso dos amantes
sem amizades coloridas
de lábios mordidos, beijos mordentes
mamilos e lábios confudidos
bebendo dos teus seios, sentindo
que cresço como planta impossível
como entre as tuas coxas sinto
que dilatas, e um fio imperceptível
de água salgada sai de dentro
rio de amor sem filosofia
recebe-me só, inteiro, entre as linhas
dos versos ritmados os troncos
das árvores se agitam, como ventos
outonais se dispersam arruaceiros
este desejo branco de espalhar-me
versos lúcidos num jardim de rosas
molhadas que o desejo lubrifica,
um acto tão belo como o expandir
dos pulmões escondidos na tua pele
sedosa, perto, tão perto do teu
coração romântico que descobre
a filosofia no amor, toma-me
recebe-me sem filosofia nenhuma

 

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A melodiosa tarde

atapetada de púrpura
longe do hábito de monge

enchia-se o céu de azuis
e rosas da pele pálida
eu céu tu sol a desfalecermos juntos

estava a teia por ti urdida
ardia em convulsões
ateado fogo desejar-te sôfrego

percorri a rua sonhando o beijo
ignorava a vénus de milo
quando nos abraçámos

por favor, pede ao ao rouxinol para
não cante à noite por enquanto
quero o silêncio prisioneiro







(imagem retirada da net) 

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Podias ter nascido no mar azul
de acordo com os parâmetros do amor
pelo corpo pálido esculpido que desculpa
maior crime que pousar-te os olhos ígneos

nasci no caótico entulho, sabias? Vivi
na ânsia de encontrar-te, não em brancas
páginas dos livros que falam o desconhecido
nessa altura evaporavas nos meus sonhos

não quererei dizer-te inteligências
apenas que meu beijo revelasse o quanto
ocupas meus sonhos verdes de adulto

queria que fugíssemos para ilhas desertas
subindo escadarias de degraus lascivos
vigília no teu corpo esbelto, ó Vénus

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É quando a noite chega que em ti penso

a minha mão fingindo ser a tua
o sangue ferve os músculos ficam tensos
faz cócegas no céu da boca à Lua

sinto o batom vermelho dos teus lábios
a linguagem da língua linguaruda
o cálculo da cópula no astrolábio
altura em que chegavas às alturas.

teu rosto junto ao meu fazendo olhinhos
meus olhos nos teus seios fazem ninhos
de beijos de esponjosa sonoridade

teu corpo tão floresta tão de toca
é onde anda perdida a minha boca
como se andasse em busca da verdade






(imagem retirada da internet)

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na mala de viagem levo a alegre infância

que a pouco e pouco vai ficando mais distante
a rua onde cresci sem ter grande importância
é de todas as ruas a mais importante

a minha avó, mais nova, que por mim gritava
meu avô fumando cigarro após cigarro
o negro alcatrão com branco giz riscava
rectângulos dos jogos que hoje não apago

levaria a viagem as memórias na mala
para um país longínquo, ou inóspito deserto
poderia recordar a infância que vivi

pois que esta vida adulta é voz que não se cala
um grito que sufoco e me mantém desperto
a minha doce infância, a rua onde cresci

 

 

 

 

(imagem retirada da internet)

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És a cidade branca que amo

deitas-te, estendida, perfumada
de coco, toda relógio de cuco

em ti há ruas estreitas espaçadas
de tédio e vácuo, onde o bulício
desmaia na curva dos teus seios

não fazes pausas, a avidez
da baunilha e caramelo
que pões no beijo ameno

amável, amido devoradora
de água da cozedura
onde ferves o meu coração

a solidão áspera, o desespero
rútilo, o bando negro de corvos
pairavam por cima de mim

quando escrevi isto, quando
te beijava levemente as pálpebras
descendo e descendo como

no ar brincam as andorinhas
rompendo a luz do entardecer
com a cor do teu altar mor

conseguirei despertar da letargia
do verão passado presente
como se trouxesses água no bico

desses becos líquidos, onde sufoco
deleite anfíbio, morte à chegada
pressão do dedo que indica a dor

nunca bebi tanta água como de ti
poço fundo onde à noite vejo
o reflexo do meu rosto e da lua

quererei romper na madrugada
da tua pele clara e ser sangue
correndo no azul das tuas veias

dentro de ti há salas de espelhos
consigo variar-me agarrando a crina
da amazona, terminal da espuma

acre beijo, roçagar de vestidos
fantasma, alegoria, fado de fada
faca encostada à garganta

lâmina sedenta de sangue
onde poderás degolar-me a vida
inteira, sempre que o desejares

como será cair aos tropeções
na escadaria que construíste
para que atingíssemos o zénite juntos

e caíssemos na cama molhada
dois proscritos defuntos
num buraco que o tempo escavou







(imagem retirada da internet)
 

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Das paredes imaculadas

saíam noivas vestidas de
branco
sonhei que se deitavam
a meu lado se misturando
num sonho líquido de fogo
traziam aves na boca
tigres nos olhos
cobras nos braços nus
frutos nos seios
que se reanimando entre elas
trocavam beijos lascivos
as mãos mágicas
faziam-me crescer
não esquecerei o bouquet
e nádegas, do perfume
perverso da pele e saliva
sol de gemido morno, manso
doce de corpo demoníaco
inflamado, expedito
turvando a realidade insípida
abriam-se em ostras molhadas
sucos e sumos extraídos
como minérios e adubos
fazendo-me crescer, levitar
preparando-me. Como eu era barro
naquelas mãos altruístas
beijos de fios de baba
molhando envolvendo
no rodopio da língua
as noivas casavam-se
no altar do meu corpo
oferecido ao sacrifício
que fusão confusa
deliciosa de pele e carne
marcha sexual passando
por baixo do arco do triunfo
como as possuía
como me possuíam
não me despertes Morfeus
deixa-me neste fresco
pintado pelos meus neurónios
gastos. Não aceitarei a vida
de outra cor, branco
com sangue dentro
no centro, epicentro,
estremeço, convulso, compulso
ancas, pernas, espera,
apertos, gemidos e mágoas
abertas em sonhos de nenúfares
chorões de lágrimas quentes
Ó doença do sonho
febre do desejo
rasgavam-me ao meio
como partilha da presa
a sensação atrelada ao dia
o romper que há no abrir dos olhos
fechei as portas dos armários
da minha inquieta imaginação

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O poeta erótico vai de úbere
colhe o fruto do olhar puro
mas de máscara intraduzível

o poeta erótico irá de rasgado
peito sentir que a luz o esmaga
na passagem breve da vida

vibrando dedilhados acordes
na guitarra sinuosa improvisa
arpejos ascendentes que sobem colinas

não poderá ser o que aspira ser
lambendo feridas como leões fulvos
com o sal de um mal menor

as árvores dão-lhe sombra e as
que dão fruto, colhe, e as que dão
susto, acolhe, sacode-se e flutua

ele percorre vinhedos verdejantes
de recantos de luxúria praticável
na incúria das horas amargas

inspira o ar, alivia-se da carga poética
erguendo sua taça de vinho produzido
da união dos corpos no prazer

das uvas esmagadas pelos peitos
que se amam, perdidos no abismo
do erotismo

escorre das bebidas bocas ávidas 
beijos húmidos e prolongados
à luz crepuscular indecisa

na depravação das horas gastas
em labores que nos colocam em
labirintos, eu sofro esses beijos 

o entrechocar de sexos esponjosos
espantando o abutre negro da morte
por mais uns dias

que vinho escorre das uvas esmagadas
nos seios nus e másculos peitos
antes do outono monocórdico

vinho de versos, que escorrido
por goelas fundas como se existisse
um jorro ininterrupto de licor

liberta-se o poeta, é príncipe do ar
atirando pedras no lago profundo
soletrando os círculos concêntricos

é ali que poemas interditos fermentam
conseguiria abrir a porta numa nuvem
se imaginasse o beijo de uma Cíntia

Ela que veste diáfana túnica 
aureolada de luar num corpo apetecível
nas florestas encantadas busca Endimião.

da minha boca escorrerá um vinho
aprazível dos meus versos escritos
aos que se amam ébrios de loucura

cresce-me no pórtico do corpo 
espécie de pila dórica dura
à procura desse escuro morno de  rubi

celebro Bacanália equilibro-me no voo
de um pássaro que sobrevoando intima
altos voos altas quedas

 

 

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O casal perfeito feliz de mãos dadas

os filhos saudáveis na cauda de cometa
vão rindo os petizes por tudo e por nada
por baixo da mesa a mulher toda aberta

ao lado o rapaz louro braços tatuados
sorri à namorada infeliz tão matreiro
à mesa, ela olha-o por tudo e por nada
ele não, ele olha o mar – deve ser mariheiro.

a mulher roliça de perfume abafado
o homem de pele curtida pelo sol
talvez pescador, Julieta e Romeu

e aquele homem de rosto triste, isolado
numa ilha trancado dentro dele próprio
escreve, numa mesa a um canto, esse sou eu

 

 



(Fernando Pessoa - José de Almada Negreiros)  

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Os meus dedos
desapareceram
no lago apertado
chamado
ferida

escreveu-se o amor
num papel branco de
loucura em gotículas

estávamos perto
um do outro
como a vagina
do anus
pulaste
para cima do meu
colo
no cume do                                                     
desesepero de querer-te
impermeável
da chuva do tempo
odor corporal
meio mel,
meio mal
e não sairíamos
de cima um do outro
se não fosse o terem
batido à porta. Fui
espreitei pelo buraco
da fechadura mas
era só
o tempo
que passava


 

 

 

(imagem extraída google)

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Tudo se acaba
novo ciclo se inicia
tudo é nada na vida inútil

poema número cem
é zero
parto sempre do princípio

como dois olhos verdes
são duas algemas
irresistíveis

ou os ombros finos
de mármore branco
e rosas líquidas

revisto-me de outono
monótono angular
varrendo versos nas ruas

virá o vento soprá-los
imperativo, frio
no inverno próximo

de enfrentá-lo sem
força nem fôlego
onde se revelará refúgio

hiberno como olhando
de frente, os olhos verdes
no poema cem

cheguei ao cume
do nada, lúcido
reiniciar-me-ei em breve

no crepúsculo

 

 

 

 

(imagem retirada da internet)

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Quando vens vestida de cravo

vermelho, encravo na vida
dá-se a revolução no sangue
dos sentidos aos gritos
pelas ruas do meu corpo

quando vens vestida de lírio
consigo instalar o silêncio
na caótica equação real
demoro-me nos teus olhos
molhados de febre e delírio

se vens vestida de gardénia
assusto-me não esperava
que viesses vestida de noiva
escolho a praia como altar
o mar por testemunha

se vieres vestida de rosa
vermelha é possível que
te arranque a primeira pétala
que vier parar-me às mãos e
tapar-me a boca

mas se vieres vestida só
com a tua pele nua eu juro
que vestirei igual a ti
faremos de conta que
um está vestido do outro




(imagem obviamente retirada da internet)

 

 

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Bem sei que irei deitar-me hoje contigo

tu, no céu por cima, eu cá na terra
a poesia melancólica por abrigo
a solidão o túmulo onde me encerro.

bem sei que irei louvar-te em versos líricos
querendo desmanchar-te essa postura
de rainha que ilumina à noite os ricos
e aos pobres de dia pura impostora.

anseio o strip tease que costumas
fazer-me à janela onde irei ver-te
como se me exibisses níveo peito

e quanto mais me inspiro mais te aprumas
nas horas amargas irei escrever-te
onde sou teu poeta mais que imperfeito


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Sinto deitado na cama o

fluxo sanguíneo nas veias
deixando o calor nos lençóis brancos


como homem de Vitrúvio abro os
braços, gela-me o frio, dormem nuas
a insana Insónia, a sanguessuga Solidão

a noite será longa alongo-me
ao comprido deitado no exorcismo
como se travasse a vertigem

pensar doloroso
os pensamentos martelam-me na
cabeça até provocarem dor física

pairava nos papéis poemas escritos
antigas reflexões a tinta permanente
sabidos de cor por ninguém

fugiu-me a vida como esta ave
frágil foge-me constantemente da mão
ainda morno quase morte.

deixo-o fugir, não falarei da
lua, essa, anda perdida na
floresta à procura de Endimião.

ando à procura de mim próprio
acudo o corpo torpe, a pedido
das duas devassas inúteis

emplastro e película aderente
a primeira quer infligir-me dor
a segunda quer atenção, endoidecer-me

saíssem das paredes noivas
vestidas de branco, me devorassem
como hienas a noite seria a presa

não eu







(imagem etc, etc, etc, da internet)

Arquivo

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