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O Poeta Erótico

Acelera-me as partículas
aquele andar firme de ganga
esticada e justa às
pernas flexíveis e elásticas
comprime-se energia, reside
no acto de registo mental
tontura primeiro papel, caneta
segue-se o fluxo sanguíneo
entrando descalço em casa
desnudos pés na areia fina
assassino nato do assunto
com a mão, extração de versos
do meu coração dióspiro
maduro amachucado
sabor da imagem retida

comprimo-me, não a esqueço,
corpo perfeito celeste incorpóreo
ignoro o perfume de flores
e borboletas de asas coloridas
o sonho morno de água tépida
escorrendo-lhe pelas pernas abaixo
percorro o passadiço do desejo
anfíbio naquele corpo de
mar e terra, como será
navegar no estreito, dissolver-me
em corpo, comprimir-lhe os seios
ser raio de sol de dois girassóis
como será, o batimento rítmico
do meu corpo no seu corpo
cravar-lhe o nome de pedra
no seu corpo de barro

a gaivota grita-me a reposta
ri-se trocista: não a verás
ás ás ás ás ás ás ás ás ás
caga-me a verdade absoluta
voando livre, majestosa
do horizonte azul ao fundo

agarro-me sobrevivente
à grossura do tronco
gritando por socorro
mas não recorro a ninguém
percorro o vácuo indefinido
grotesco gesto animalesco
sinto retesar os músculos
de gato nervoso
virá a bonança cantar-me
a melodia falsa, amanhã
sentirei o vício da pressão
marítima, rotineira, ser esta
a liberdade de redoma de vidro
cabisbaixo, soturno, masculino
explodir incompleto
tornar-me no céu imaginário
constelação sem nome
anónimo, banal, desconhecido
só acima de tudo

 

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