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O Poeta Erótico

 

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Na colisão dos corpos destilados

num ápice vai-se de teleférico
ao cume dos sentidos
sente-se o delicioso balançar
nas mãos braços dedos diluídos
dádivas sem dúvida
dissonâncias em crescendo
nesse microclima de lençóis e sexo
muros e espasmos são trepados
orgasmos e música sensual
de sonoridades líquidas
como se os corpos cantassem
a língua acerca-se da flora cáustica
cortando espinhosos e cardos
tornando o ócio escorregadio
resvala-se, treme-se na sandice
de querer-se à pressa o culminar
do acto amoroso
sopra-se, a convulsão sente-se
do ar entrando de rompante
mas dobra-se inclina-se
posiciona-se fêmea dócil implorando
com olhos lânguidos
abrem-se portas com chaves
mestras que antes se trancavam
vai-se e vem-se
por onde se evacua
abertamente
colidindo

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