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O Poeta Erótico

A pele de luar, a túnica translúcida
saía-lhe das coxas a orquídea molhada
um tecido nas pétalas de esparsas gotículas

o pudor metia-o de lado, estimulava-se
de íntimas carícias femininas que, só elas
sabem onde lhes caberá melhor o prazer,

através dos carinhosos dedos mágicos
agitando as águas ou atiçando o fogo
com dedos no vértice da vagina

há grutas e segredos que só as mulheres
conhecem, perfumes marinhos perfumam
o ar de fragrâncias doces, o sangue o suor

na dança Dido erótica de pele primaveril
sob o lençol branco inundado de luar
como impregna o ar de húmidos delírios

como se enrola e desdobra como se enfia
sentindo-se mulher, fêmea luzidia
transforma-se em luz repelindo a treva

da sua boca a sincopada melodia
cardíaca, remexendo lagos de sangue
perde-se no orifício estreito conhecendo-se

mima-se de graça, chove-se de cor
parece andar ali um ser invisível, excita-se
agita-se, toca-se, mexe-se, sufoca-se

espelho dos gestos, a noite decorativa
as sombras espalhadas no chão moveram-se
bruxuleando, como a vela que ela atiçava

de seios acesos, remexia lânguida o Sul
molhando-se no vergel morno e húmido
é quase dia, é quase tempo de a aurora abrir-se ao sol

 

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