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O Poeta Erótico

O corvo crocita, debate-se aflito 
preso à casa onde o acolheram
embate confuso nas vidraças
necrófaga ave noctívaga
Ouvisses o estrondo das asas,
deslocando o ar em desespero
terias aberto a janela tornando-o livre

Que lástima, tudo é incompleto
não existe a perfeição das coisas
somos todos condores aprisionados
vi um imponente, voava desferindo
voo vertiginoso quase a pique
seguindo rente à montanha escarpada
como em queda no ar a diluir-se

meu espírito embate nessa vidraça
meu espírito é essa ave maldita
delírio incontornável o seu rosto
não tenho espírito, vago, diurno ando
a sonhar acordado amaldiçoado
pelo sol a seguir-me a sombra

Não existe sombra a misturar-se
na minha, acasalar geométrico
não há corpo nuvem que me ensombre
desabe em cima a louca tempestade
não há seio que sugue sôfrego
deixando-me a frescura no rosto

ao menos fosse roubar-lhe singular
abraços que perdurasse eterno
suspenso, confidencial, obelisco
pontiagudo aguçado, endurecido
pelo embate violento de um rosto
belo na vidraça onde o corvo embate

 

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