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O Poeta Erótico

Ligaste o sistema de rega
sinto nos lençóis a marca
morna e escorregadia

teus lábios verticais
recebem-me humedecidos
boquiaberta orquídea erótica

fálico ritual de âncora
tocando o fundo do mar
que o ferro perfura

teu corpo lunar como se estivesse
laço empina-se
e mistura-se no escuro

é nos teus flancos
que adio a morte
em ti celebro a vida

que desperdício o alívio
no muro das lamentações
se me alivio no teu peito

jorro morno pedes-me
como flor pedindo ao sol que a foda
e ao céu que a regue

beijas salivas e babas
convocas com as mãos
o rio supremo da vida

o teu beijo tranca portas
ninguém entra do lado de fora
quando estou dentro de ti

 

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