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O Poeta Erótico

 

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Na colisão dos corpos destilados

num ápice vai-se de teleférico
ao cume dos sentidos
sente-se o delicioso balançar
nas mãos braços dedos diluídos
dádivas sem dúvida
dissonâncias em crescendo
nesse microclima de lençóis e sexo
muros e espasmos são trepados
orgasmos e música sensual
de sonoridades líquidas
como se os corpos cantassem
a língua acerca-se da flora cáustica
cortando espinhosos e cardos
tornando o ócio escorregadio
resvala-se, treme-se na sandice
de querer-se à pressa o culminar
do acto amoroso
sopra-se, a convulsão sente-se
do ar entrando de rompante
mas dobra-se inclina-se
posiciona-se fêmea dócil implorando
com olhos lânguidos
abrem-se portas com chaves
mestras que antes se trancavam
vai-se e vem-se
por onde se evacua
abertamente
colidindo

Tetis.PNG

 

Um dedo de conversa
é experimental
estuda-se o conforto

as seis cordas da guitarra
iluminam-se se forem mais
dedos a tocá-la

e o segundo dedo
a intimidade amplia-se
de gozos infindos

retesam-se os músculos
significa que saboreaste
o diálogo profundo

as mãos moldam barro
punem a carne
às vezes docemente

se a mão sobra no seio
é sinal de sobra
é sinal de saque

porém se a mão se dobra
na curva do medo
desaparece

desço um degrau
no teu corpo encontro
teu lume húmido

derreto-me no calor
ardente do amor vê
como se fosses vulva

mergulhemos fundo
há corais coloridos
no mar encapelado

deusa das grutas do mar
ando a perder meu tempo
Em terra

 

 

(imagem retirada da internet)

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Perco-me na tua garganta
olhas-me molhas-me hospedam-me
teus seios cheios se estou cheio

perdi-me no meio da refrega sem norte
na floresta tropical
chapinhando na lama à chuva

tranco portas da trocista uretra
não lacrimejo encerro a serpente
no geminal covil

conseguisses ver dois tornados
revoltos nos teus olhos lúbricos
terias espasmos múltiplos

gosto tanto de ti que me tornei
dureza dolorosa de bambu
no boomerang de ida e volta

há belíssimos versos de amor
inegável
mas também versos de foda

a florirem nos ramos de amendoeira
que rebentam na Primavera
nos teus campos purpurinos

fechamos os olhos e há cânticos
nossos gemidos confundem-se com ventos
que fodem as frinchas das janelas

nos vendavais há ramos de árvores
que batem fortemente nas vidraças
assim nos castigamos

não entrarão no quarto solidões
psicóticas de nervos assassinos
que nos lêem contos góticos

gemo, gemes, germinamos juntos
tornas-te tecto de cabelos os teus seios
esbofeteiam-me de raiva

no prazer carnal, que encaixe único
amanhã não irei mais à minha vida
a minha vida passará para ti

mudo para onde é treva e pecado
de culto movimento clássico
de grito agudo

curso de água meigo e fundo
volteiam perfumes sujos pelo ar
a condensação deu-se no quarto

e tu... não sei... túmulo... tumulto
saio aperto-me cambaleando
bebes-me submissa puxas-me para fora

que serpentina líquida no ar
a contracção dos músculos das nádegas
o recuar da morte imposição da Vida

miríades de estrelas vieram ver-te
à janela quando findas no espasmo
prolongado terminado em riso







(imagem infelizmente retirada da internet)

 

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“Veni, vidi, vici.” -  Júlio César


É verão e ignoro se
do estúpido Bóreas
ou da rábida fantasia

o dia aracnídeo teceu-me
sombras de sol pondo-me
visco nas metáforas e sentidos

saí de casa como
costumo sair de mim próprio
nunca levando chaves

num banco de jardim
sentia o ar de mercúrio
entrar nas narinas de súbito

anónima vestida de puta
de níveo seio olhar tóxico
veio ter comigo e disse-me:

“Sou a Solidão, Eugénio
quero dormir contigo”
Fui, falei e fodi.

não mais era eu génio






(imagem retirada da internet)

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Beijos de língua com língua, boca com boca
de peito com peito, de sexo com sexo
beijos de língua lavrando o fundo da toca
que inspiram amantes a mansos amplexos

beijos de lírio líquido lábios com lábios
saliva com saliva de vozes com vozes
beijos bipolares de baba com baba
de apertados corpos de duro quebra nozes

beijos de espuma de sexos friccionados
de esguicho convocado por mãos criativas
beijos de lábios que operam e sabem

de estimulados seios nas mãos embrulhados
mamilos excitados por bocas abrasivas
beijos que apregoam, beijos de voragem


 

(imagem retirada na internet)

Figo.PNG

 

há que dizer que o interior
do figo é doce, quando o como
gosto de tirar-lhe a pele
como se fosse uma perna
para cada lado, sentir que o alvo
será o meio enrubescido,
achar-lhe o sítio certo de
interligar-me com a língua
e metê-la deveras
como se furasse

e convertesse o sabor
de suco em compota
alguém virá julgar-me
da selvajaria com
que o como então
dir-lhei sem rodeios
que nunca comeu
nem devorou um figo

como deve ser
comido


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Quero o cálculo do perímetro da

Rotunda perfeita circunferência
Das tuas nádegas luzidias.

Quero achar-te o diâmetro, dividir-te
Ao meio com mãos hábeis
Atingir a vulcânica cratera

Retórica inútil nunca foi o meu forte
Há silêncios que nunca se quebraram
Há moléculas que nunca se dividiram

Há bocas que nunca foram abertas
Que dissessem uma bondade sequer
nem por amor concupiscentes vulvas

Mas a tua abre-se, deitando-me
A língua de fora de gato amoroso
Queres saber a que sabes com a boca?

E se fossemos água e caíssemos
Aos borbotões num lago cálido
Desaguássemos no pélago infinito

Líquidos, deslizando nas pedras
Onde pensava que estivéssemos
Juntos dos peixes nadando perto

Fechemos os olhos, já és de água
Estes jogos sonoros aquáticos
Anunciam anunciam estar...

Perto de pertencer ao reino dos mortos
Cardíaco o sangue vertiginoso
Amo-te puxado pelo absimo estreito

Desarrumam-se os dias passados
Em coletes de força impostos
De matéria colectável expando-me

Flutuo, a nada pertenço, sei tudo
De perfeitas e ideológicas filosofias
Para compor-se versos de ferro e fogo

Rompo-te, desfaço-me em catadupa
Morna, demorada, amor celestial
Longe de ser engolido por Fobos

Que foi que me tirou o chão
Cheio de roupa espalhada e vestígios
noites de anatómica arqueologia?

A tua pele quando toco é de estrelas
Plasma corpo macio nimbado
Por uma lua ciumenta prestes a envolver-te

Que escondem as paredes, que é de mim
Onde fui antes de ir e vir
Onde estive depois que me vim?

Fremes, folha pipilante de choupo
Gemes, mavioso pipi amoroso
Beijo-te com lábios nos olhos

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Distraída 
como um impala
bebendo água no rio
e silencioso aproxima-se
o leopardo assassino
assim me chego perto
emplastro atrás de ti.

Que felino impulso
agarrar-te e cravar-te
as mandíbulas fatais
no teu pescoço de cisne.
Mas roço-me, conecto-me
remexo-te desarrumo-te
deixando bem claro

nas tuas nádegas firmes
o tamanho do amor
que sinto por ti

Travemos o tempo
sabes? A morte vem aí
o apetite voraz rasga-me
e desejo rasgar-te ao meio
como este vestido de linho
repito: a Morte vem aí
quero colocá-la daqui para fora
saindo fora de mim
para estar em ti.

O beijo ardente é memória
a memória torna-se poema
e esta ternura saída
é ultimato feito à morte
não me levará de ânimo leve
por meter-te, meu amor
entre a morte e a parede






(imagem retirada da internet)

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Onde estás no escuro? Não sinto

a minha mão desaparecer
no triângulo das bermudas

magnética, tacteio-te a treva
ainda não sou navio de carga
No canal do Suez

Cais-me em cima como a noite
a tua boca acende-se, vasculha-me
drone no meu corpo

ágil agitas-me a haste
levito num voo macio
de língua e lábios

mergulho as garras na colmeia
como um urso ando à procura
do teu mel amargo

dedilho as cordas tangíveis
da guitarra curva que se tocam
no enredo das pernas

há um lago de águas quentes
onde tento com as minhad mãos
apanhar um peixe esquivo

somos duas sombras de sangue
que dançam na noite arcana
no voyeurismo das estrelas

encubro-te na cópula
no cúmulo do tempo avanço
irrompendo pela noite

o primor dos seios são
tochas iluminando grutas
de húmidas paredes

tornas-te eólica e sopras
no meu corpo e solto ao vento
um papagaio branco

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O céu suicida-se em azul

antecipa-se ao sol que morrerá
de tédio no horizonte longínquo
Há aldeias de carne e pele na praia
bronzes estendidos em conchas
e toalhas sobre a areia fina
há corpos esculpidos de cinzéis
de prata e vitamina d
fatos de banho reduzidos a nada
vestindo plantas carnívoras
estou só, não sou daqui,
sou o único maluco que dá conta
de como o mar é belo
dos cardumes de rútilos peixes
e joalharias inventadas pela luz
na garganta azul de espuma.
sairão todos e voltarão a casa
eu ficarei para metamorfosear-me
em rocha. Alguém que me descubra
nas grutas marítimas
à procura da epiléptica Anfitrite
e da mãe do Aquiles
para um menage à trois






(imagem retirada da Internet)

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Como ela tem o tecido

reduzido e suave
enfiado no abismo

Como o sinuoso curso
das ancas salientes
circundam as nádegas

vibrando no umbigo
que a língua ali enlanguescia
erguendo hotéis e nervos

como ela na areia se mantém
de pé se reclinando cu
-jos olhos usam binóculos

como rasteja e gatinha
à toalha límpida de pérola
ajeitando a vagina vesga

como os seios conversam
ao sol sedoso e lhe morde
os túrgidos mamilos

como pinga dos cabelos
negros e as gotas caem
onde deixaria de respirar

Como ela...






(imagem retirada da internet)

Ela

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Ela
tirou-me das mãos a bússola
algemou-me o olhar
com seus olhos verdes
esmeralda de cio
Ela
lançou-me ácido sulfúrico
com a cintura fina
e rabo assassino

que de tão excitado
derreti-me
Ela
tinha línguas de fogo
a sairem-lhe do peito
trazia o vento na boca
incendiou-me
Ela
como uma puta que passava
ouvi a culatra retráctil
deu-me um tiro
deixou-me estendido
a esvair-me em sémen
na rua da imaginação







(foto retirada da internet)

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Na tua pele nua cor de lua

a nova variante é este soneto
na nádega sinuosa se insinua
levar-me ao largo escuro do coreto

onde me aperto mais só para ver-te
os olhos revirados de prazer
se enrolo a língua a ponto de beber-te
é para ouvir-te lamb(i)da a gemer

por onde a língua opera o devaneio
no botão de anatómica energia
tu pedes-me que te lambda devagar

no escuro me seguro no teu seio
eu pronto pleno, tu escorregadia
dentro de ti o mundo pode acabar

 

 

(imagem retirada da internet)

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O corpo nu submerso nas águas 
quentes relaxavam femininos
músculos como leves carícias

na volúpia as pernas moviam-se
sensuais em jogos lúdicos
de aquáticos devaneios

molhando-se, expandia-se
ensaboava a pele arrepiada
no rodopio das nádegas contraídas

debaixo de água o frémito
da planta subaquática
carnívora abrindo a boca rubra

os olhos atordoados revirava-os
a cada toque íntimo e lúbrico
lubrificava a noite escorregadia

os dedos puxam gatilhos fatais
mas musicais se invocam
melífluas alegrias de Eros

abandonava-se ao tempo metido
num saco cheio de dinamite
à espera do rastilho aceso

por esse corpo varonil que desejava
que a preenchesse num sonho
erótico de Cassandra que olvidasse

a angústia da vida incendiária
só ele podia ser água elemento
devorador do fogo devorador

acendia nos seios lamparinas
as mãos revolviam-se na água
tépida de ondas revigorantes

há carícias e delírios que de longe
transportam-se anfíbios à realidade
tornando o sonho próximo






(imagem retirada da internet) 

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Duas fêmeas juntas
Transformam-se
Transfodem-se

Unem-se, submetem-se
A delírios supremos
De Safo, de Lesbos

As mulheres sabem melhor
Molhar o prazer sabem
Os segredos bacantes

Sabem húmidos feitiços
da penumbra perfumada
Das coxas macias

Na fenda púrpura, da pérola
Oculta pela pele
No vértice vaginal

Vertiginosa, pelame
imperceptível quase
Loira luz de ninfa

Trocam carícias várias
Alargam lambem no
Esconde esconde do clitóris

Uivam fêmeas penetram-se
Fundem-se, fodem-se, criam
Membros postiços

Sorvem a seiva servem a outra
De bebedouro e bebedora
Repuxo, rio no bosque oculto

Seio com seio, apertam-se
Flor com flor condor com dor
Que amor que amor que amor

Dedilhando vão os dedos
Ó espasmo trémulo corpo
Ó fêmea feroz felina

Diana rasgou a túnica
Enfiou em si os dedos
Assistiu a tudo de excitada
Sessenta e nove comentários
tecidos por tao belas criaturas
palavras de afecto à distância
Aos leitores curvo-me, ajoelho-me,
De gratidão abraço-vos, como irmãos

Às leitoras, de cordas tensas de guitarra
Porque há música oculta no seio da mulher
Eu vos saúdo, de gratidão, beijo-vos na boca
Sessenta e nove beijos recebidos
Arco de triunfo, corpo oposto que nos bebe
A lua cheia no rosto, a língua procura-a
Basta beijá-la, sorver avidamente

Mulher romântica, eu te beijo na boca
Mulher apaixonada, eu te beijo na boca
Mulher roliça eu te beijo na boca
Mulher solitária, com tentáculos de polvo
Eu te beijo na boca
Mãe, mulher, amiga, amante, amada
Eu te beijo na boca
Mulher que ampara sem ajuda o mundo inteiro,
Decoradora do mundo criadora de Beleza
Saúdo-te beijando-te na boca
Que os meus versos sejam os meus lábios
São vossos, beijo-vos e abraço-vos
Desço do meu cavalo invisível
Mando-o embora, abraço-vos,
Quão belas criaturas há no mundo
Beijo-vos assim na solidão dos dias
O corvo crocita, debate-se aflito 
preso à casa onde o acolheram
embate confuso nas vidraças
necrófaga ave noctívaga
Ouvisses o estrondo das asas,
deslocando o ar em desespero
terias aberto a janela tornando-o livre

Que lástima, tudo é incompleto
não existe a perfeição das coisas
somos todos condores aprisionados
vi um imponente, voava desferindo
voo vertiginoso quase a pique
seguindo rente à montanha escarpada
como em queda no ar a diluir-se

meu espírito embate nessa vidraça
meu espírito é essa ave maldita
delírio incontornável o seu rosto
não tenho espírito, vago, diurno ando
a sonhar acordado amaldiçoado
pelo sol a seguir-me a sombra

Não existe sombra a misturar-se
na minha, acasalar geométrico
não há corpo nuvem que me ensombre
desabe em cima a louca tempestade
não há seio que sugue sôfrego
deixando-me a frescura no rosto

ao menos fosse roubar-lhe singular
abraços que perdurasse eterno
suspenso, confidencial, obelisco
pontiagudo aguçado, endurecido
pelo embate violento de um rosto
belo na vidraça onde o corvo embate

 

Piscis foderunt conas
"os peixes furaram as redes"



remove o medo do corpo

confia em mim serei
meticuloso jardineiro
No trato do teu íntimo
vergel bravio


abre-te como um livro denso
como se fosses Les Fleurs du Mal
e avidamente te desejasse
ler, ler, ler, ler, ler, ler

confesso-te sinto
um prazer mórbido
se te faço a intimidade
não és bonsai bem sei
não sou sensei mas sou
quem ávido te deseja
quase besta animalesca

serás a minha obra prima
serás a minha Cona Lisa
verás melhor depois de tudo
serás a Górgona que
tudo petrifica quem a olha
de frente ou de lado

vejo-te hesitante no rosto
folha indecisa trémula
de choupo sossega, Medusa

a água quente chegará
gemes já do jacto vigoroso
o estímulo nesta fase é valioso
a espuma ajuda neste ofício
a lâmina fria na mão
raspo, raspo, como é bela
pulsa, como é tórrida
mágica, como é vida
como
gemes novamente, folheio
o livro aberto
com saliva deslizo
trenó na neve
macia Cona Lisa

 

Ligaste o sistema de rega
sinto nos lençóis a marca
morna e escorregadia

teus lábios verticais
recebem-me humedecidos
boquiaberta orquídea erótica

fálico ritual de âncora
tocando o fundo do mar
que o ferro perfura

teu corpo lunar como se estivesse
laço empina-se
e mistura-se no escuro

é nos teus flancos
que adio a morte
em ti celebro a vida

que desperdício o alívio
no muro das lamentações
se me alivio no teu peito

jorro morno pedes-me
como flor pedindo ao sol que a foda
e ao céu que a regue

beijas salivas e babas
convocas com as mãos
o rio supremo da vida

o teu beijo tranca portas
ninguém entra do lado de fora
quando estou dentro de ti

 

Acelera-me as partículas
aquele andar firme de ganga
esticada e justa às
pernas flexíveis e elásticas
comprime-se energia, reside
no acto de registo mental
tontura primeiro papel, caneta
segue-se o fluxo sanguíneo
entrando descalço em casa
desnudos pés na areia fina
assassino nato do assunto
com a mão, extração de versos
do meu coração dióspiro
maduro amachucado
sabor da imagem retida

comprimo-me, não a esqueço,
corpo perfeito celeste incorpóreo
ignoro o perfume de flores
e borboletas de asas coloridas
o sonho morno de água tépida
escorrendo-lhe pelas pernas abaixo
percorro o passadiço do desejo
anfíbio naquele corpo de
mar e terra, como será
navegar no estreito, dissolver-me
em corpo, comprimir-lhe os seios
ser raio de sol de dois girassóis
como será, o batimento rítmico
do meu corpo no seu corpo
cravar-lhe o nome de pedra
no seu corpo de barro

a gaivota grita-me a reposta
ri-se trocista: não a verás
ás ás ás ás ás ás ás ás ás
caga-me a verdade absoluta
voando livre, majestosa
do horizonte azul ao fundo

agarro-me sobrevivente
à grossura do tronco
gritando por socorro
mas não recorro a ninguém
percorro o vácuo indefinido
grotesco gesto animalesco
sinto retesar os músculos
de gato nervoso
virá a bonança cantar-me
a melodia falsa, amanhã
sentirei o vício da pressão
marítima, rotineira, ser esta
a liberdade de redoma de vidro
cabisbaixo, soturno, masculino
explodir incompleto
tornar-me no céu imaginário
constelação sem nome
anónimo, banal, desconhecido
só acima de tudo

 

Arquivo

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