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O Poeta Erótico

 

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Dois ranúnculos brancos debaixo da blusa
repousavam como se tivessem feito
uma viagem longa
peregrina a caminho das constelações
das mãos. A suavidade e a claridade
pertencia à juventude. Por isso
não retirei meus olhos sequiosos
não recuei nos passos, porque
na tradução do tempo, no espaço
brilhará intensamente na morte
o benefício intraduzível na perfeição
dos seios, solenes, sublimes
directos, erectos, concretos
de virem a pertencer às paginas da poesia.
Se fumasse acenderia cigarros
nos seus mamilos incendiados
cresce-me docemente o volume
das calças, como se estivesse
ligado à corrente daquele tecido
adiposo, mariposa, anfíbia
no meu rio branco amarelado
Ilha graciosa no mar do meu martírio
salitre e enxofre num fogo erótico
do desejo permanente.
Quase conseguia imaginar a métrica
do beijo hidráulico quanto levitaria
criando bolas de sabão na boca
de lábios lambidos de batom
sangrento, criminoso, como se
escrevesse pecados e os trouxesse
à tona num debate de poesia
remexendo nervosamente as mãos
Lá estava ela, estudando com olhos
científicos como se me dissecasse
mansamente, mas não, somente
nórdica e fútil curiosidade turística.
O amor saberá decifrar os códigos
do peito, se sereno, se sôfrego
não saberei se me perfumaria
a língua com a sua língua trazendo
o aroma fresco das silvestres framboesas
trouxe-me, passados minutos
paz líquida interior de voraz apetite
Escrito num papel azul turquesa

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